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    Home»Brasil»Eduardo Bolsonaro nega ter sugerido substituição do Pix por sistema americano e culpa a imprensa de distorção; entenda
    Brasil

    Eduardo Bolsonaro nega ter sugerido substituição do Pix por sistema americano e culpa a imprensa de distorção; entenda

    RedacaoFonte: Redacao4 de junho de 2026Nenhum comentário
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    Eduardo Bolsonaro nega ter sugerido substituição do Pix por sistema americano e culpa a imprensa de distorção; entenda
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    O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em suas redes sociais nesta quinta-feira (04) para rebater as críticas que recebeu após sugerir a inclusão do sistema de pagamentos norte-americano Zelle em discussões bilaterais com os Estados Unidos. O ex-parlamentar negou que tenha defendido a substituição do Pix e acusou veículos de comunicação de distorcerem suas declarações.

    “Jamais falei em substituir o pix! O Pix foi criado pelo meu pai, sem taxas, e assim deve permanecer”, escreveu Eduardo em sua publicação, classificando a repercussão do caso como uma “patifaria” em uma postagem. Confira sua fala abaixo:

    A nova manifestação ocorre em meio a um histórico de relações tensas entre o clã Bolsonaro e a imprensa, frequentemente marcado por acusações mútuas de desinformação e divergências no enquadramento de declarações públicas. O próprio Eduardo foi desmentido sobre uma versão de que um jornalista “ligado ao PCC” rondou sua família. Após isso, o portal revelou que o jornalista apenas pediu uma entrevista, e foi negado.

    E A FALA?
    Em uma entrevista concedida ao canal TMC News, ao analisar possíveis estratégias de aproximação comercial com a futura gestão de Donald Trump, Eduardo Bolsonaro citou o Zelle, uma plataforma privada de transferências rápidas operada por um consórcio de bancos nos EUA. “Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então, dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos”, sugeriu o ex-deputado na entrevista gravada.

    A fala foi interpretada por adversários políticos e críticos como uma abertura para a substituição ou facilitação de plataformas estrangeiras no mercado nacional, afinal o deputado sugere como uma possibilidade de negociação. A aspa que deflagrou reações imediatas da base governista. Na prática, ele propõe o uso do sistema como um instrumento de negociação e, logo em seguida, reforça que o Pix foi criado durante a gestão de seu pai.

    Reveja a fala debatida abaixo:

    PIX É DO BOLSONARO?
    De modo simples, não. Aos fatos: o Pix foi lançado oficialmente em novembro de 2020, durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o histórico de desenvolvimento da ferramenta mostra uma construção que atravessou diferentes governos, seja Dilma, Temer e do próprio Bolsonaro. O Banco Central (BC) já desmentiu o ex-deputado cassado. 

    A primeira manifestação oficial sobre a necessidade de “soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos” ocorreu em 2014, sob a gestão de Dilma Rousseff. O projeto começou a ser elaborado tecnicamente pelo corpo de servidores do Banco Central em maio de 2018, ainda no governo de Michel Temer, conforme registrado no Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

    Na Portaria n.º 97.909, de maio de 2018, instituída pelo BC, foi criado o grupo de trabalho destinado a “contribuir para a construção de um ecossistema de pagamentos instantâneos competitivo, eficiente, seguro e inclusivo”. O nome “Pix” ainda não era utilizado, mas as bases operacionais do sistema já estavam definidas naquele documento.

    “A infraestrutura centralizada de liquidação será operada pelo Banco Central do Brasil e estará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e em todos os dias do ano. As transações serão liquidadas uma a uma, no momento em que a ordem de liquidação for aceita pela infraestrutura”, determina a portaria.

    Confira abaixo:

    Registro da decisão que mostra a formação do grupo antes mesmo do governo Bolsonaro | Foto: Reprodução / DOU

    De acordo com o Banco Central, esse grupo de trabalho para pagamentos instantâneos (GT-PI) representou “a primeira etapa para o desenvolvimento dos pagamentos instantâneos no Brasil”. O debate foi aberto a partes interessadas e recebeu contribuições de mais de 130 participantes do setor.

    A partir de outubro de 2019, já sob o governo de Jair Bolsonaro, teve início o desenvolvimento da infraestrutura tecnológica da ferramenta. A marca “Pix” foi lançada oficialmente em fevereiro de 2020. Segundo o Banco Central, o nome “é baseado em tecnologia, transação e pixel, e representa a transposição dos limites do sistema financeiro, a comunicação entre os agentes de mercado e a solidez do pixel”.

    Em outubro de 2020, um mês antes do lançamento oficial do sistema, o então presidente Jair Bolsonaro demonstrou desconhecer o meio de pagamento ao ser parabenizado por um apoiador na saída do Palácio da Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro confundiu a ferramenta com medidas de desburocratização na aviação civil.

    Ao ser informado pelo cidadão de que se tratava de um novo sistema de transferências financeiras criado pelo Banco Central, o então presidente respondeu: “Não tomei conhecimento, vou conversar esta semana com o [então presidente do BC] Roberto Campos”.

    O episódio recente expôs novamente a sensibilidade política em torno do Pix, uma ferramenta de alta aprovação popular cuja autoria histórica é disputada por diferentes correntes políticas de campanhas para as eleições de 2026, com distorções de membros ou ex-membros da política nacional sobre a inovação tecnológica. 

    Foto ilustrativa: Reprodução / Agência Brasil

    O Palácio do Planalto reagiu de forma indireta ao caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou contra o que chamou de “complexo de vira-lata”, defendendo a valorização das tecnologias desenvolvidas no país. Na mesma linha, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, declarou que o Brasil não iria “ceder o Pix para empresas americanas”, enquanto o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, classificou a sugestão como “entreguista”. O PDT também emitiu nota alertando para possíveis riscos à soberania nacional.

    Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo, buscou blindar sua pré-campanha para 2026. Alvo de críticas nas redes sociais por conta de discussões sobre tarifas comerciais norte-americanas, Flávio posou com um cartaz com os dizeres “O Pix é do Brasil. E do Bolsonaro”, enfatizando o papel do governo do pai na implementação da plataforma. Aliados do senador também reforçaram que a opinião emitida por Eduardo na entrevista, de caráter pessoal, não reflete o posicionamento oficial da campanha.

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