O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) informou que mantém interditadas as atividades do Terminal Itapuã, em Salvador, após a identificação de contaminação ambiental na região da Praia de São Tomé de Paripe.
Segundo o órgão, desde o início da ocorrência foram adotadas medidas emergenciais, incluindo a restrição temporária de acesso ao trecho diretamente afetado, a emissão de exigências técnicas para correções operacionais e a determinação de investigações e ações de remediação ambiental pelas empresas envolvidas.
De acordo com o Inema, a Diretoria de Fiscalização Ambiental (Difis) aplicou, em 3 de junho, multa de R$ 20 milhões ao Terminal Itapuã Ltda. e de R$ 50 milhões à Gerdau Aços Longos S.A. A penalidade foi aplicada após análise documental e técnica que apontou a contribuição das empresas para a contaminação de águas intersticiais, águas subterrâneas, sedimentos, águas marinhas e da biota na Praia de São Tomé de Paripe. As empresas têm prazo de 20 dias, a partir da ciência da autuação, para apresentar defesa administrativa.
Segundo o órgão ambiental, a infração foi caracterizada como poluição ambiental efetiva, conforme a Nota Técnica utilizada como parâmetro. As evidências foram obtidas a partir de análises documentais, inspeções técnicas e coletas de amostras realizadas nos dias 20, 24 e 26 de fevereiro e 2, 7 e 14 de abril de 2026, tanto na praia quanto no terminal marítimo.
Os resultados das análises identificaram a presença de compostos químicos contaminantes em diferentes pontos da área investigada. Conforme o Inema, os dados confirmam impactos ambientais relacionados às atividades das empresas autuadas.
Além das multas, o Terminal Itapuã permanece interditado e foi notificado a cumprir exigências técnicas determinadas pelo órgão ambiental, entre elas a realização de estudos complementares e a apresentação de medidas de remediação para recuperação da área afetada.
O Inema informou ainda que instalou, em 10 de junho, mais duas placas de sinalização na região, totalizando quatro pontos sinalizados para reforçar as orientações de restrição de acesso à área sob investigação ambiental.
As inspeções e amostragens realizadas entre março e abril incluíram coletas de água superficial marinha, água intersticial e sedimentos em oito pontos localizados entre a Praia de São Tomé de Paripe e a Praia do Inema. Também foram coletadas amostras de organismos marinhos, como siris e moluscos bivalves.
Segundo o órgão, os exames laboratoriais identificaram concentrações elevadas de compostos nitrogenados e metais, especialmente cobre, em áreas próximas ao foco da contaminação. Também foram observadas alterações em sedimentos e organismos marinhos analisados. A ampliação da área de investigação permitiu confirmar a presença de contaminação nos sedimentos, na biota e na água intersticial da praia.
Na água intersticial, coletada abaixo da superfície da areia, foram registradas concentrações elevadas de nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal em pontos associados a líquidos amarelado e azulado encontrados na área. O ponto relacionado ao líquido amarelado apresentou destaque para nitrogênio amoniacal. Já o ponto associado ao líquido azulado registrou concentrações elevadas de nitrogênio amoniacal, além de cobre total e cobre dissolvido.
Em relação à água do mar, o Inema informou que foram verificadas violações pontuais dos limites estabelecidos pela Resolução Conama nº 357/2005 para parâmetros da série nitrogenada em pontos situados no entorno da empresa investigada.
O órgão também realizou nova vistoria após demandas apresentadas pela comunidade local e pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) durante reunião realizada em 27 de maio. Na inspeção, foi identificado um estoque remanescente de ureia no terminal, cuja retirada deverá ser concluída pela empresa. Segundo o Inema, não houve registro de entrada de novos materiais no local.
Em 2 de junho, foi realizada uma inspeção conjunta com participação da Casa Civil, da Secretaria de Relações Institucionais (Serin) e do Inema.
As duas empresas notificadas deverão apresentar ações emergenciais de remediação ambiental. O órgão informou que avaliará os estudos exigidos e definirá as medidas definitivas necessárias para mitigação dos impactos identificados.
Diante dos resultados obtidos e das evidências verificadas durante as ações de monitoramento e fiscalização, o Inema ampliou a área com restrição para atividades de contato primário e manteve as medidas de controle e acompanhamento ambiental na região.
A área segue classificada como imprópria para banho e recreação de contato primário, conforme a Resolução Conama nº 274/2000. O órgão orienta que a população evite o trecho afetado, incluindo atividades de banho, pesca e contato direto com a água e os sedimentos da região.
Segundo o Inema, toda a documentação técnica produzida está sendo encaminhada a órgãos estaduais e municipais envolvidos no caso, incluindo instituições da área da saúde e demais entidades competentes, para adoção das medidas cabíveis em suas respectivas áreas de atuação.


