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    Home»Brasil»Terceira gestão assume operação do Hospital Regional de Porto Seguro após duas rescisões em 9 meses
    Brasil

    Terceira gestão assume operação do Hospital Regional de Porto Seguro após duas rescisões em 9 meses

    Eduarda PintoFonte: Eduarda Pinto16 de junho de 2026Nenhum comentário
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    Terceira gestão assume operação do Hospital Regional de Porto Seguro após duas rescisões em 9 meses
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    A empresa S3 Gestão em Saúde assumiu, a partir desta segunda-feira (15), a gestão do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro. A empresa, que é a terceira organização a comandar o hospital nos últimos nove meses, iniciou a operação da unidade após uma série de protestos trabalhistas e inconformidades administrativas que marcaram as duas últimas gestões.

    O contrato de gestão da S3 Gestão em Saúde, divulgado no Diário Oficial do Estado (DOE), possui um valor global estimado em R$ 297.309.515,88 (duzentos e noventa e sete milhões, trezentos e nove mil, quinhentos e quinze reais e oitenta e oito centavos) para o custeio geral da operação do hospital, além de R$ 1.327.267,50 (um milhão, trezentos e vinte e sete mil, duzentos e sessenta e sete reais e cinquenta centavos) destinados especificamente para o pagamento de órteses, próteses e materiais especiais (OPME).

    A mudança foi formalizada por meio da Portaria Nº 769, assinada pela Secretária da Saúde da Bahia (Sesab), em 12 de junho de 2026, e também divulgada por meio de publicação no Diário Oficial do Estado. A medida formaliza que a gestão e a execução dos serviços do hospital saem do Instituto Setes (antigo Instituto Vida Forte) e passam para a Associação de Proteção à Maternidade e Infância Ubaíra – S3 Gestão em Saúde.

    O Hospital Luís Eduardo Magalhães é uma das referências em atendimento hospitalar da região da Costa do Descobrimento. A unidade desempenha papel estratégico nos atendimentos de urgência e emergência, internações e procedimentos especializados.

    Conforme a portaria, a Sesab também formou uma Comissão de Transição para a mudança de gestão, na qual os membros nomeados devem trabalhar em conjunto com ambas as instituições para garantir que a troca de administração ocorra sem interrupções nos atendimentos à população. A comissão também deve realizar o levantamento descritivo das atuais condições da referida unidade de saúde e produzir um inventário de materiais e insumos presentes no local.

    Em posicionamento oficial, a secretária Roberta Santana chegou a destacar que “a equipe de transição não sairá do hospital enquanto a nova organização social não assumir por completo a gestão da unidade e todos os serviços estiverem funcionando plenamente”.

    Acontece que a mudança em curso é apenas um dos desdobramentos de uma série de acontecimentos que impactam diretamente a unidade há cerca de nove meses – ou o equivalente a 258 dias.


    Foto: Reprodução / Radar News 

    MANIFESTAÇÕES E INCONFORMIDADES
    As complicações na gestão do Hospital Regional tiveram início em setembro de 2025, ainda na primeira gestão, do Instituto de Gestão e Humanização (IGH). No dia 30 daquele mês, a Sesab formalizou a suspensão do contrato do instituto após verificar dificuldades da organização social em manter a capacidade operacional diante da alta demanda de atendimentos.

    Ainda segundo a pasta, relatórios de monitoramento apontaram superlotação frequente na emergência, atrasos em cirurgias, além de falta de insumos e medicamentos, fatores que comprometeram a qualidade do atendimento.

    Menos de dois meses depois da primeira “troca” de gestão, no dia 1° de dezembro do ano passado, a equipe médica de obstetrícia do Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães pediu demissão em massa, devido à redução salarial proposta pelo Instituto Setes, que assumiu a operação, e à falta de pagamento de verbas rescisórias por parte da gestão anterior, o Instituto de Gestão e Humanização (IGH).

    Em resposta ao protesto, que fragilizou uma das principais alas de atendimento do hospital, a Sesab acionou órgãos como o Conselho Regional de Medicina (Cremeb) e o Ministério Público, solicitando fiscalização e medidas que confirmassem a permanência dos profissionais na unidade. O órgão estadual atuou ainda na mediação junto ao Instituto Setes para a contratação de um novo grupo de obstetras para manter a escala de trabalho e garantir a assistência a gestantes e recém-nascidos no Hospital Regional.

    Já em 2026, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) notificou o Instituto Setes para realizar o encerramento de contrato da gestão do HRDLEM. Entre os pontos levantados constavam a suposta falta de funcionamento do aparelho de tomografia, deficiência no abastecimento de materiais e medicamentos, problemas no enxoval hospitalar e atrasos no pagamento de honorários médicos.

    Os desdobramentos da gestão da unidade deram início a uma “disputa política” em torno da gestão regional de saúde. De um lado, a secretária estadual indicou – ainda na época da gestão do IGH – que, segundo a classificação de risco, cerca de 52% dos pacientes atendidos na emergência poderiam ser tratados na Atenção Primária dos municípios da região, sendo a maioria dos casos vindos de Porto Seguro e Santa Cruz de Cabrália.

    O entendimento da Sesab era de que a suposta fragilidade no atendimento primário, de responsabilidade das gestões municipais, teria causado a superlotação do Hospital Regional. Por outro lado, a Prefeitura de Porto Seguro, comandada por um opositor do governo estadual, o prefeito Jânio Natal (PL), chegou a publicar um vídeo, em março deste ano, no qual descrevia a precariedade no Hospital Regional, citando falta de insumos básicos, como fios cirúrgicos e medicamentos, além de atrasos salariais.


    Foto: Márcio Rocha / GOV-BA

    Na ocasião, o prefeito de Porto Seguro afirmou que “não tem remédio, não tem insumos, não tem material para fazer cirurgia”. “Tem pessoas que vão para a sala cirúrgica, chegam lá e não tem fio cirúrgico, e as pessoas retornam para o seu leito e na verdade ficam lá dois, três meses aguardando este material”. Segundo Jânio, o município de Porto Seguro repassa mais de R$ 12 milhões por ano ao hospital.

    Ele cita ainda que o conjunto de municípios da 8ª Região de Saúde, que inclui Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itabela, Itagimirim, Itapebi e Santa Cruz Cabrália, soma cerca de R$ 30 milhões em transferências.

    A Sesab respondeu às acusações em nota oficial. Segundo a entidade, “a Prefeitura de Porto Seguro não repassa um centavo sequer ao Hospital Regional”. “Os R$ 12,5 milhões que o prefeito tenta apresentar como contribuição da Prefeitura são, na verdade, recursos do Governo Federal repassados ao Fundo Estadual de Saúde da Bahia” (confira a nota oficial na íntegra).

    Em posicionamento mais recente, a Secretaria declarou que, nos últimos três anos, o Governo do Estado investiu cerca de R$ 18 milhões na ampliação e qualificação do HRDLEM.

    Foram abertos 20 novos leitos de UTI e foi entregue uma nova emergência com nove leitos de estrutura de estabilização, nova emergência pediátrica e nova emergência obstétrica. “Até o dia 19 vamos entregar mais 10 leitos de enfermaria. Entregaremos ainda um novo tomógrafo e um centro de endoscopia e colonoscopia”, revelou Roberta Santana.

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    Eduarda Pinto

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